”Sobrou uma, bem pequena, no canto, quase em cima da cama. Perto da janela. Só descobri que ainda estava lá muito tempo depois de ter arrancado as outras. Depois de meus olhos já estarem acostumados às noites escuras. No espaço vazio sobraram apenas as marcas do que não existe mais. Uma constelação ao contrário ou a via-láctea de dentro para fora. Há noites em que acordo e então lembro do que passou. Cada estrela ainda no seu lugar. Nem tudo precisa estar para continuar existindo. Pequena e quase sem brilho, ela ilumina lugares esquecidos, memórias apagadas, sentimentos que não existem mais. O canto do meu quarto onde deixei um pedaço de mim. A última estrela anunciava metástase. Imóvel, adormeci outra vez.”
(via duendesdamorte)
”Sobrou uma, bem pequena, no canto, quase em cima